Entre as quatro alegações que um suplemento de vitamina C pode declarar no Brasil, uma é "auxilia na formação normal do colágeno". Este artigo trata do que está por trás dessa frase — e do que ela deliberadamente não diz.
As quatro alegações autorizadas
Pelo Anexo III da IN 28/2018 da ANVISA, a vitamina C:
- auxilia no funcionamento normal do sistema imune;
- auxilia na proteção das células contra os danos causados pelos radicais livres;
- auxilia na formação normal do colágeno;
- auxilia na absorção de ferro dos alimentos.
A redação é fixa. "Auxilia na formação normal do colágeno" é uma coisa; promessa sobre aparência da pele é outra, e não cabe em rótulo de suplemento alimentar.
O que é colágeno
O colágeno é uma família de proteínas estruturais e responde por parcela expressiva do total proteico do corpo humano. Forma fibras e redes que compõem a matriz extracelular de pele, tendões, cartilagens, ossos e paredes de vasos sanguíneos.
Sua característica estrutural é a tripla hélice, que depende de uma sequência repetida de aminoácidos e da estabilização dessa hélice por modificações químicas feitas depois da síntese da cadeia proteica.
Onde a vitamina C entra
Aqui está o mecanismo, que é bioquímica estabelecida e não promessa comercial.
Duas enzimas — a prolil-hidroxilase e a lisil-hidroxilase — modificam resíduos de prolina e lisina da cadeia de colágeno recém-sintetizada, convertendo-os em hidroxiprolina e hidroxilisina. Essas hidroxilações são o que permite à tripla hélice se estabilizar.
Ambas as enzimas dependem de ferro no sítio ativo, e esse ferro precisa permanecer no estado reduzido para que a reação prossiga. O ácido ascórbico é o agente redutor que mantém esse ferro disponível. Sem vitamina C suficiente, a hidroxilação fica prejudicada e o colágeno formado é estruturalmente instável.
É exatamente por isso que a alegação autorizada usa a palavra "normal": a vitamina C é requisito para que a formação do colágeno ocorra normalmente. Não é um estimulante de produção.
Vitamina C e proteção celular
A segunda alegação relevante aqui é a proteção das células contra os danos causados pelos radicais livres. O ácido ascórbico atua como doador de elétrons, neutralizando espécies reativas na fase aquosa. Também participa da regeneração da vitamina E oxidada, o que integra os dois nutrientes no mesmo sistema.
De novo: a alegação descreve proteção celular. Não descreve efeito estético.
Liberação imediata e ação prolongada
A vitamina C é hidrossolúvel e não é armazenada em grande quantidade. O excedente circulante é eliminado pela urina, o que torna a regularidade da ingestão mais relevante que a dose pontual.
- Liberação imediata: todo o ativo é disponibilizado de uma vez. Pico plasmático alto, janela de disponibilidade curta.
- Ação prolongada: a matriz do comprimido libera o ácido ascórbico de forma gradual. Pico menor, disponibilidade distribuída ao longo de mais horas.
Para quem toma dose alta em uma única tomada diária, a ação prolongada tende a resultar em melhor aproveitamento e menor pico gástrico. É uma questão de perfil de liberação, não de superioridade de fórmula.
IDR e limite de suplementação
IDR de vitamina C para adultos no Brasil: 45 mg — base do cálculo de %VD na tabela nutricional. Limite máximo em suplementos alimentares para adultos: 1000 mg por dia.
Como ler o rótulo
- Quantos comprimidos formam a porção?
- Quantos mg de vitamina C por porção?
- Quantas porções tem o frasco — quantos dias de uso?
- Liberação imediata ou prolongada?
- Comprimido revestido?
- %VD, sobre 45 mg.
Controle de qualidade FDC
A FDC opera laboratório próprio. O teor de vitaminas é verificado por cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC) e os minerais por espectrometria de absorção atômica, com laudo por lote. A fabricação segue Boas Práticas de Fabricação (BPF) e os produtos são notificados na ANVISA.
A Vitamina C 1000 mg Ação Prolongada da FDC combina revestimento em película e liberação gradual do ativo.
Orientação de uso
Siga o rótulo. Necessidade e dose devem ser avaliadas por médico ou nutricionista.
Suplemento alimentar. Não é medicamento. Não substitui uma alimentação variada e equilibrada nem estilo de vida saudável. Não diagnostica, trata, cura nem previne doenças. Consulte médico ou nutricionista.