A norma que define a faixa
A regra está na Instrução Normativa nº 28/2018, da ANVISA, que continua vigente — com alterações, sendo a mais recente a IN nº 450, de junho de 2026. Ela funciona junto com a RDC nº 243/2018, que estabelece os requisitos sanitários dos suplementos alimentares.
Dois anexos concentram o que importa aqui:
Anexo IV — limites máximos. A quantidade que a recomendação diária não pode ultrapassar, também por grupo populacional.
Os dois anexos são organizados por faixa etária: 0–6 meses, 7–11 meses, 1–3 anos, 4–8, 9–18, acima de 19 anos, gestantes e lactantes. A coluna que vale para o adulto é a de acima de 19 anos — e é comum ver conteúdo na internet citando por engano a coluna de gestantes.
Magnésio e zinco: a faixa completa para adultos
| Nutriente (adultos +19) | Mínimo — Anexo III | Máximo — Anexo IV | Valor Diário de Referência (VDR) — IN 75/2020 |
|---|---|---|---|
| Magnésio | 63 mg | 350 mg | 420 mg |
| Zinco | 1,65 mg | 29,59 mg | 11 mg |
Repare que os mínimos não são arbitrários: 63 mg é exatamente 15% de 420 mg, e 1,65 mg é 15% de 11 mg. O piso do Anexo III corresponde ao percentual que a rotulagem nutricional usa para permitir a expressão “fonte de” um nutriente.
Por que o VDR é maior que o teto no caso do magnésio
À primeira vista parece contradição: como o valor de referência pode ser 420 mg se o suplemento não pode passar de 350 mg? Porque os dois números medem coisas diferentes.
O teto de 350 mg vale apenas para o que vem do suplemento. A norma parte do princípio de que a alimentação já contribui com uma parte, e limita o que o produto pode acrescentar.
É a mesma lógica adotada internacionalmente. O Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos é explícito ao definir o limite superior tolerável de magnésio: ele inclui apenas o magnésio proveniente de suplementos e medicamentos, e não o naturalmente presente em alimentos e bebidas.
Por que existe um teto
Micronutriente não é substância inócua em qualquer quantidade. Três razões sustentam o limite:
1. Efeitos diretos do excesso
O caso mais conhecido é o do magnésio em doses altas por via oral, cujo efeito laxativo é bem documentado — não por acaso, sais de magnésio são usados exatamente com essa finalidade em outros contextos. O excesso de zinco por longos períodos também tem efeitos descritos na literatura.
2. Interação entre minerais
Minerais competem por mecanismos de absorção. A interação mais citada é a do zinco com o cobre: ingestões elevadas e prolongadas de zinco estão associadas à redução do status de cobre, porque o zinco induz a produção de uma proteína intestinal que sequestra o cobre. É um exemplo de por que um teto por nutriente também protege outro nutriente.
3. Somatório invisível
A norma limita cada produto. Ninguém limita quantos produtos a pessoa toma. Quem usa um polivitamínico, um mineral isolado e um kit de rotina pode somar, sem perceber, várias vezes a mesma coisa. O teto por produto reduz o dano desse acúmulo — mas não o elimina.
Quando um suplemento fornece a quantidade máxima permitida para adultos, o rótulo precisa deixar claro que ele não deve ser combinado com outro suplemento do mesmo mineral. Não é excesso de zelo: é a única forma de o limite legal funcionar na vida real, onde as pessoas tomam mais de uma coisa.
O que o teto não significa
Não é uma recomendação. Que um produto possa entregar 350 mg de magnésio não significa que 350 mg seja a quantidade certa para quem quer que seja. A necessidade individual depende de idade, alimentação, condição de saúde e uso de medicamentos, e quem avalia isso é profissional de saúde, a partir de exame.
Não cobre a alimentação. O teto vale para o suplemento. A ingestão total soma o que vem da comida — e, no caso do magnésio, a comida contribui bastante.
Não é o mesmo em todos os países. Os limites variam entre jurisdições. Um produto importado pode conter quantidade acima do que a norma brasileira permite, e isso não o torna “melhor” — torna-o não conforme aqui.
O que fazer com essa informação
2. Leia a advertência. Produtos que entregam o limite máximo dizem isso na embalagem. É informação, não formalidade.
3. Desconfie de rótulo sem número. Se o produto não declara o teor por porção, não há como fazer a conta — e é a conta que protege.
4. Compare a quantidade certa. No caso dos minerais, o número a comparar é o do mineral elementar, não o da massa do composto. Isso muda o resultado por um fator de até quatro.
5. Leve a lista ao profissional. A avaliação de quanto você precisa é clínica; a de quanto o produto entrega é do rótulo. As duas coisas se encontram na consulta.
A FDC declara o teor por porção e a advertência de limite máximo em cada página de produto. Confira a linha completa.
Ver produtos FDCReferências
- BRASIL. ANVISA. Instrução Normativa nº 28, de 26 de julho de 2018 — Anexos III e IV. Vigente com alterações. Disponível em: in.gov.br
- BRASIL. ANVISA. Resolução RDC nº 243, de 26 de julho de 2018 — requisitos sanitários dos suplementos alimentares.
- BRASIL. ANVISA. Instrução Normativa nº 75, de 8 de outubro de 2020 — Anexo II, Valores Diários de Referência.
- NIH Office of Dietary Supplements. Magnesium — Fact Sheet for Health Professionals. Disponível em: ods.od.nih.gov
- NIH Office of Dietary Supplements. Zinc — Fact Sheet for Health Professionals. Disponível em: ods.od.nih.gov
Perguntas frequentes
Qual o limite máximo de magnésio por dia em suplemento no Brasil?
Para adultos acima de 19 anos, 350 mg por recomendação diária de consumo, conforme o Anexo IV da IN nº 28/2018. O mínimo é 63 mg. O limite vale apenas para o magnésio do suplemento, não para o total da dieta.
Qual o limite máximo de zinco por dia em suplemento no Brasil?
Para adultos acima de 19 anos, 29,59 mg por recomendação diária de consumo, conforme o Anexo IV da IN nº 28/2018. O mínimo é 1,65 mg. O VDR de zinco para rotulagem é 11 mg.
Por que o VDR de magnésio é 420 mg se o teto do suplemento é 350 mg?
Porque medem coisas diferentes. O VDR é referência para a ingestão total, incluindo alimentação. O teto de 350 mg limita apenas o que vem do suplemento.
O limite máximo é uma dose tóxica?
Não. É um valor regulatório com margem de segurança, para consumo diário e continuado por população saudável. Também não é recomendação de quanto cada pessoa deve tomar — isso é avaliação clínica.
Posso tomar dois suplementos com o mesmo mineral?
A norma limita cada produto, não a soma. Produtos que entregam o teto trazem advertência para não serem combinados com outro do mesmo mineral. O certo é somar o teor de tudo que se usa e avaliar com profissional de saúde.