O zinco é um micronutriente mineral. Está presente em pequenas quantidades em vários alimentos e atua como cofator de centenas de enzimas do metabolismo humano. Este texto explica o que a legislação brasileira permite afirmar sobre ele, e o que muda entre as formas químicas.
As alegações autorizadas no Brasil
A ANVISA define, na IN 28/2018, quais alegações de propriedade funcional cada nutriente pode carregar. Para o zinco, são quatro:
- Auxilia no funcionamento do sistema imune.
- Auxilia no processo de divisão celular.
- Auxilia no metabolismo de proteínas e carboidratos.
- Auxilia na proteção das células contra radicais livres.
Fora dessa lista não há alegação autorizada. Textos que atribuem ao zinco efeito sobre cabelo, acne, memória, disposição ou resistência a infecções estão indo além do que a legislação permite. Repare também no verbo: é sempre auxilia, nunca fortalece ou combate.
Como o zinco é absorvido
A absorção ocorre principalmente no intestino delgado, por transportadores específicos. Alguns pontos descritivos relevantes:
- Fitatos. Presentes em cereais integrais, leguminosas e sementes, formam complexos com o zinco e reduzem a fração absorvida. Remolho, fermentação e germinação diminuem o teor de fitato.
- Competição mineral. Doses altas de ferro ou de cálcio no mesmo momento podem reduzir a absorção de zinco.
- Matriz alimentar. O zinco de fontes animais tende a ser mais disponível do que o de fontes vegetais, justamente pelo teor de fitato.
- Regulação. A fração absorvida aumenta quando a ingestão é baixa e diminui quando é alta.
O corpo não mantém um estoque significativo de zinco de fácil mobilização, o que torna a ingestão regular relevante. Situações de maior demanda, como gestação e lactação, têm IDR própria.
Formas químicas: o que muda
Suplementos de zinco não trazem o mineral isolado. Ele vem ligado a outra molécula, e essa ligação muda o teor de zinco elementar e o comportamento de absorção.
- Quelato de aminoácido (zinco quelado). O mineral é ligado a aminoácidos. A ligação o protege da formação de complexos com fitatos no trato digestivo.
- Picolinato. Ligado ao ácido picolínico.
- Gluconato. Forma orgânica, comum em suplementos.
- Sulfato e óxido. Formas inorgânicas. O óxido tem alto teor de zinco elementar por miligrama, mas baixa solubilidade.
Ao comparar rótulos, o número que importa é o de zinco elementar por porção, não o peso do sal. Um rótulo pode declarar 50 mg de gluconato de zinco e conter cerca de 7 mg de zinco elementar.
IDR e limite máximo
A IDR de zinco para adultos no Brasil é de 7 mg por dia. Para suplementos alimentares, a legislação vigente estabelece um limite máximo de 29,59 mg por dia para adultos. Crianças, gestantes e lactantes têm valores próprios.
No rótulo, confira a quantidade por porção em miligramas e o percentual de valor diário. Se você usa mais de um suplemento, some o zinco de todos: polivitamínicos frequentemente já trazem o mineral.
Alimentos com maior teor de zinco
- Ostras e frutos do mar: as ostras concentram o teor mais alto entre os alimentos comuns. Caranguejo, camarão e mexilhão também contribuem.
- Carnes vermelhas: bovina, suína e cordeiro.
- Aves: frango e peru.
- Sementes: abóbora e gergelim.
- Castanhas: caju e amêndoa.
- Leguminosas: feijão, lentilha e grão-de-bico, com a ressalva do fitato.
- Cereais integrais: aveia, quinoa e trigo sarraceno, também com fitato.
- Leite e derivados: teor menor, mas somam na ingestão do dia.
Dietas predominantemente vegetarianas concentram fontes com mais fitato, o que muda a fração absorvida. Isso é uma observação de composição alimentar, não um diagnóstico. A avaliação individual é de médico ou nutricionista.
Controle de qualidade FDC
A FDC mantém laboratório próprio de controle de qualidade. O doseamento de minerais e a verificação de metais pesados são feitos por espectrometria de absorção atômica, e as vitaminas por cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC), com laudo por lote. A fabricação segue as Boas Práticas de Fabricação e os produtos são notificados na ANVISA. Metais pesados são controlados dentro dos limites da legislação vigente.
Siga sempre a orientação do rótulo e converse com médico ou nutricionista antes de incluir um suplemento na rotina.
Suplemento alimentar. Não é medicamento. Não substitui uma alimentação variada e equilibrada nem estilo de vida saudável. Não diagnostica, trata, cura nem previne doenças. Consulte médico ou nutricionista.