Cabelo, pele e unha são estruturas do sistema tegumentar. São formadas, em grande parte, por proteínas. Entender do que elas são feitas explica mais do que qualquer promessa de resultado estético.
Este texto trata de dois assuntos: a biologia dessas estruturas e o que a legislação brasileira permite afirmar sobre nutrientes.
Do que são feitos o cabelo, a pele e a unha
Queratina. É a proteína fibrosa que forma o fio de cabelo e a lâmina da unha. O fio é composto por cutícula (camada externa de escamas sobrepostas), córtex (a maior parte da massa do fio) e, em fios mais espessos, medula. A unha é uma placa de queratina compacta que cresce a partir da matriz ungueal, na base.
Colágeno. É a proteína estrutural mais abundante do corpo. Na pele, está concentrado na derme, a camada logo abaixo da epiderme, onde forma a rede que sustenta o tecido. Também está presente ao redor do folículo piloso e no leito da unha.
Elastina. Proteína da derme responsável pela capacidade do tecido de voltar à posição original após ser deformado.
Camadas da pele. Epiderme (externa, com o estrato córneo na superfície), derme (colágeno, elastina, vasos, folículos, glândulas) e hipoderme (tecido subcutâneo).
O ciclo do fio
O cabelo não cresce de forma contínua. Cada folículo segue um ciclo com três fases:
- Anágena: fase de crescimento ativo. Dura anos.
- Catágena: fase curta de transição, de algumas semanas.
- Telógena: fase de repouso, ao fim da qual o fio se solta e um novo fio começa a se formar.
Os folículos estão em fases diferentes ao mesmo tempo. Por isso a queda diária de fios é um evento normal do ciclo, não um sinal isolado.
Funções nutricionais e leitura do rótulo
No Brasil, as alegações de propriedade funcional de vitaminas e minerais em suplementos alimentares são definidas pela ANVISA, no Anexo III da Instrução Normativa 28/2018. A lista é fechada. O que não está nela não pode ser afirmado.
Não existe alegação autorizada de zinco, biotina ou colágeno para cabelo, pele ou unhas. A frase "zinco contribui para a manutenção de cabelos, pele e unhas" aparece com frequência em textos e rótulos. Ela vem da legislação europeia. No Brasil, não é permitida.
A única ponte autorizada entre um nutriente e essas estruturas é outra: a vitamina C auxilia na formação normal do colágeno. Colágeno é proteína estrutural, e está presente na derme, ao redor do folículo e no leito ungueal. A alegação se refere à formação da proteína. Não fala de aparência, brilho, firmeza, crescimento ou espessura.
Alegações autorizadas dos nutrientes mais citados
- Vitamina C: sistema imune; proteção das células contra radicais livres; formação normal do colágeno; absorção de ferro.
- Zinco: sistema imune; divisão celular; metabolismo de proteínas e carboidratos; proteção das células contra radicais livres.
- Biotina (B7): metabolismo energético; metabolismo de macronutrientes.
- Ferro: transporte de oxigênio; formação de células vermelhas; sistema imune.
- Ácido fólico (B9): divisão celular; formação de células vermelhas.
- Vitamina D: absorção de cálcio e fósforo; manutenção de ossos e dentes; sistema imune; funcionamento muscular.
- Cálcio: formação e manutenção de ossos e dentes; funcionamento muscular e nervoso; divisão celular.
Fora dessa lista, não há alegação autorizada. Texto que promete crescimento capilar, fortalecimento de unha, redução de rugas ou fim da queda está fora da legislação brasileira, independentemente da marca que o publica.
Onde a alimentação entra
Queratina, colágeno e elastina são proteínas. O organismo as monta a partir de aminoácidos vindos da alimentação. Uma alimentação com aporte proteico adequado e variedade de frutas, hortaliças, grãos integrais e gorduras de boa qualidade fornece tanto os aminoácidos quanto os micronutrientes envolvidos no metabolismo.
Fontes alimentares dos nutrientes citados acima:
- Vitamina C: frutas cítricas, acerola, goiaba, pimentão, brócolis.
- Zinco: carnes, frutos do mar, sementes de abóbora, castanhas, leguminosas.
- Ferro: carnes vermelhas, vísceras, leguminosas, hortaliças verde-escuras.
- Biotina: ovos, castanhas, fígado, leguminosas.
- Ácido fólico: folhas verde-escuras, feijão, lentilha, fígado.
Hidrossolúveis e lipossolúveis
As vitaminas se dividem em dois grupos, e a diferença tem efeito prático.
Lipossolúveis (A, D, E, K): absorvidas junto com a gordura da refeição e armazenadas no organismo. Por serem acumuláveis, o limite máximo de ingestão tem peso maior.
Hidrossolúveis (complexo B e vitamina C): absorvidas no trato gastrointestinal e transportadas pelo sangue. O excesso tende a ser eliminado, o que não autoriza uso acima do recomendado.
Como ler o rótulo
Três informações orientam a leitura:
- Quantidade por porção: quanto do nutriente há na dose indicada, e quantas cápsulas ou comprimidos formam essa dose.
- %VD: o percentual dos Valores Diários de referência que a porção fornece.
- Limite máximo: a legislação estabelece teto de ingestão para vários nutrientes. Somar produtos diferentes pode ultrapassá-lo sem que a pessoa perceba.
Controle de qualidade na FDC
A FDC mantém laboratório próprio. As análises incluem cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC) para dosagem de vitaminas e espectrometria de absorção atômica para minerais. Cada lote tem laudo. A fabricação segue as Boas Práticas de Fabricação (BPF) e os produtos são notificados na ANVISA.
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Quando procurar um profissional
Queda persistente, alteração de textura da unha ou lesões de pele são assunto de dermatologista. Ajuste de alimentação e decisão sobre suplementar são assunto de médico ou nutricionista, com avaliação individual. Siga sempre a orientação do rótulo.
Suplemento alimentar. Não é medicamento. Não substitui uma alimentação variada e equilibrada nem estilo de vida saudável. Não diagnostica, trata, cura nem previne doenças. Consulte médico ou nutricionista.