Suplementação por fase da vida: o que muda na absorção

8 min de leitura
Pessoas de diferentes idades em rotina saudável — suplementação em cada fase da vida
O que muda com a idade não é a lista de nutrientes essenciais. O que muda é a absorção, a síntese cutânea de vitamina D e a composição da dieta. Este guia descreve essas mudanças e registra, para cada nutriente, o que a legislação brasileira permite afirmar.

O que a legislação autoriza afirmar

A ANVISA define, na Instrução Normativa 28/2018, as alegações de propriedade funcional permitidas por nutriente. Fora dessa lista, não há alegação autorizada. O verbo permitido é sempre auxilia, referido a uma função do organismo.

Vitamina D: auxilia na absorção de cálcio e fósforo, na manutenção de ossos e dentes, no funcionamento muscular e no sistema imune.

Cálcio: auxilia na formação e manutenção de ossos e dentes, no funcionamento muscular e nervoso e na divisão celular.

Magnésio: auxilia no funcionamento do sistema nervoso e muscular, no metabolismo energético, na divisão celular, na manutenção de ossos e dentes e no sistema imune.

Zinco: auxilia no sistema imune, na divisão celular, no metabolismo de proteínas e carboidratos e na proteção das células contra radicais livres.

Vitamina C: auxilia no sistema imune, na proteção das células contra radicais livres, na formação normal do colágeno e na absorção de ferro.

Complexo B: auxilia no metabolismo energético, no funcionamento do sistema nervoso, na formação de células vermelhas e na divisão celular.

Ferro: auxilia no transporte de oxigênio, na formação de células vermelhas e no sistema imune.

Selênio: auxilia na proteção das células contra radicais livres e no sistema imune.

Vale registrar o que quase nenhum texto comercial escreve. As alegações de função para EPA e DHA dependem da quantidade por porção: a legislação exige 1.500 mg de EPA+DHA por porção. Confira a tabela nutricional do produto. Para coenzima Q10 e colágeno, a legislação brasileira não prevê alegação de função — são suplementos alimentares que podem ser consumidos, mas sem função atribuída em rótulo ou em conteúdo.

O que muda de fato na absorção com a idade

Estas são descrições de fisiologia, não diagnóstico:

  • Acidez gástrica. A secreção de ácido tende a diminuir com a idade. O ácido participa da liberação da vitamina B12 ligada às proteínas do alimento e da dissolução de sais minerais como o carbonato de cálcio.
  • Fator intrínseco. Proteína produzida no estômago, necessária à absorção da B12 no íleo. Sua disponibilidade pode reduzir.
  • Síntese cutânea de vitamina D. A capacidade da pele de produzir vitamina D a partir da radiação UVB diminui com a idade, e depende de latitude, estação, horário, pigmentação, roupa e protetor solar.
  • Composição corporal. A massa e a força musculares reduzem gradualmente a partir da terceira década.
  • Variedade da dieta. Alterações de apetite, paladar e mastigação estreitam o cardápio, e é a variedade que sustenta o aporte de micronutrientes.

Dos 20 aos 35 anos

O que costuma pesar nesta fase

  • Vitamina D: a síntese cutânea depende de rotina ao ar livre. Trabalho em ambiente fechado reduz a exposição, mesmo em região de alta incidência solar.
  • Vitamina C: auxilia no funcionamento do sistema imune e na proteção das células contra radicais livres. Fontes: acerola, goiaba, caju, laranja, kiwi, pimentão.
  • Zinco: auxilia no sistema imune, na divisão celular e no metabolismo de proteínas e carboidratos. IDR de 7 mg para adultos, com limite máximo de 29,59 mg por dia em suplementos.
  • Ferro e ácido fólico: em mulheres em idade fértil e em planejamento de gestação, seguem protocolo médico com exame, dose e período definidos em consulta.

Nesta faixa, a absorção costuma estar preservada e a dieta tende a ser mais variada. O ponto de atenção é a lacuna específica, não a suplementação ampla.

Dos 35 aos 50 anos

O que costuma pesar nesta fase

  • Cálcio e vitamina D: o cálcio auxilia na formação e manutenção de ossos e dentes; a vitamina D auxilia na absorção de cálcio e fósforo e na manutenção de ossos e dentes.
  • Magnésio: auxilia no funcionamento do sistema nervoso e muscular e no metabolismo energético. IDR de 260 mg para adultos, com limite de 350 mg por dia proveniente de suplementos.
  • Complexo B: auxilia no metabolismo energético e no funcionamento do sistema nervoso.
  • Polivitamínico: cobertura de bases quando a dieta é restritiva ou irregular.

Formas químicas passam a importar mais na comparação de rótulos: carbonato e citrato de cálcio diferem em teor elementar e em dependência do pH gástrico; óxido, citrato e bisglicinato de magnésio diferem em teor elementar e solubilidade.

Dos 50 aos 65 anos

O que costuma pesar nesta fase

  • Vitamina B12: auxilia na formação de células vermelhas e no funcionamento do sistema nervoso. A B12 de suplemento vem em forma livre e não depende da etapa gástrica de liberação.
  • Cálcio e vitamina D: a densidade mineral óssea reduz de forma mais acentuada em mulheres após a menopausa. É uma característica descrita da fisiologia dessa fase.
  • Magnésio: auxilia no funcionamento do sistema nervoso e muscular e no metabolismo energético.
  • Regularidade: a constância de uso importa mais que a escolha entre marcas.

Após os 65 anos

O que costuma pesar nesta fase

  • Vitamina B12: a redução da acidez gástrica e do fator intrínseco altera a fração aproveitada da B12 alimentar.
  • Vitamina D: síntese cutânea reduzida e menos tempo ao ar livre.
  • Proteína alimentar: não é micronutriente, mas é o aporte relacionado à manutenção da massa muscular, distribuído ao longo do dia e associado a trabalho de força.
  • Polivitamínico com composição ajustada à faixa etária, como o All 26 Geriatric.

Textura e preparo dos alimentos ganham peso quando a mastigação é limitante. Legumes cozidos, purês, carnes tenras, ovos e iogurte mantêm categorias alimentares no cardápio.

Como ler um rótulo em qualquer fase

  • Compare a quantidade por porção com a IDR do nutriente.
  • Verifique o percentual de valor diário na tabela nutricional.
  • Confira o limite máximo estabelecido para suplementos alimentares.
  • Some o que vem de outros produtos: polivitamínico mais mineral isolado pode ultrapassar o limite.
  • Leia a forma química declarada, e não apenas o nome do nutriente.
  • Confira o número de notificação na ANVISA e a validade.

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A FDC mantém laboratório próprio de controle de qualidade. Minerais e metais pesados são quantificados por espectrometria de absorção atômica; vitaminas, por cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC). Cada lote tem laudo. A fabricação segue as Boas Práticas de Fabricação e os produtos são notificados na ANVISA, com metais pesados dentro dos limites da legislação vigente.

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Referências

  1. Instrução Normativa nº 28/2018, ANVISA. Lista de constituintes, limites de uso e alegações de suplementos alimentares.
  2. Legislação vigente sobre suplementos alimentares e rotulagem nutricional, ANVISA.
  3. Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018, IBGE.
  4. Guia Alimentar para a População Brasileira, Ministério da Saúde.

Perguntas frequentes

O que muda na absorção de nutrientes depois dos 50 anos?

A secreção de ácido gástrico tende a diminuir, o que altera a liberação da vitamina B12 ligada às proteínas do alimento e a dissolução de sais minerais que dependem de meio ácido. A síntese cutânea de vitamina D também se reduz com a idade. São características de fisiologia. A avaliação individual é feita por médico ou nutricionista.

Polivitamínico serve para todas as idades?

A composição varia conforme a faixa etária. O que define a escolha é a comparação da quantidade por porção com a IDR e com o limite máximo de cada nutriente, somando o que vem de outros produtos em uso.

O que a legislação brasileira diz sobre ômega-3 e CoQ10?

As alegações de função para EPA e DHA dependem da quantidade por porção: a legislação exige 1.500 mg de EPA+DHA por porção. Confira a tabela nutricional do produto. Para a coenzima Q10, a legislação brasileira não prevê alegação de função. Podem ser consumidos como suplemento alimentar, respeitando o que o rótulo declara.

Como comparar dois rótulos do mesmo mineral?

Compare o mineral elementar por porção, e não o peso do sal. Verifique também a forma química declarada, o percentual de valor diário e o limite máximo do nutriente para suplementos alimentares.

As informações fornecidas neste site destinam-se ao conhecimento geral e não devem substituir o atendimento médico ou o tratamento de condições específicas de saúde. As informações contidas aqui não se destinam a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença. Procure sempre o aconselhamento do seu médico ou outro prestador de cuidados de saúde qualificado com qualquer dúvida sobre sua condição médica. Nunca desconsidere o conselho médico nem demore a buscá-lo por causa de algo que tenha lido em nosso site ou mídias sociais.

Suplementos alimentares não substituem medicamentos nem uma alimentação variada e equilibrada. Consulte um profissional de saúde antes de iniciar a suplementação. Não exceder a dose diária recomendada.

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