O que a legislação autoriza afirmar
A ANVISA define, na Instrução Normativa 28/2018, as alegações de propriedade funcional permitidas por nutriente. Fora dessa lista, não há alegação autorizada. O verbo permitido é sempre auxilia, referido a uma função do organismo.
Cálcio: auxilia na formação e manutenção de ossos e dentes, no funcionamento muscular e nervoso e na divisão celular.
Magnésio: auxilia no funcionamento do sistema nervoso e muscular, no metabolismo energético, na divisão celular, na manutenção de ossos e dentes e no sistema imune.
Zinco: auxilia no sistema imune, na divisão celular, no metabolismo de proteínas e carboidratos e na proteção das células contra radicais livres.
Vitamina C: auxilia no sistema imune, na proteção das células contra radicais livres, na formação normal do colágeno e na absorção de ferro.
Complexo B: auxilia no metabolismo energético, no funcionamento do sistema nervoso, na formação de células vermelhas e na divisão celular.
Ferro: auxilia no transporte de oxigênio, na formação de células vermelhas e no sistema imune.
Selênio: auxilia na proteção das células contra radicais livres e no sistema imune.
Vale registrar o que quase nenhum texto comercial escreve. As alegações de função para EPA e DHA dependem da quantidade por porção: a legislação exige 1.500 mg de EPA+DHA por porção. Confira a tabela nutricional do produto. Para coenzima Q10 e colágeno, a legislação brasileira não prevê alegação de função — são suplementos alimentares que podem ser consumidos, mas sem função atribuída em rótulo ou em conteúdo.
O que muda de fato na absorção com a idade
Estas são descrições de fisiologia, não diagnóstico:
- Acidez gástrica. A secreção de ácido tende a diminuir com a idade. O ácido participa da liberação da vitamina B12 ligada às proteínas do alimento e da dissolução de sais minerais como o carbonato de cálcio.
- Fator intrínseco. Proteína produzida no estômago, necessária à absorção da B12 no íleo. Sua disponibilidade pode reduzir.
- Síntese cutânea de vitamina D. A capacidade da pele de produzir vitamina D a partir da radiação UVB diminui com a idade, e depende de latitude, estação, horário, pigmentação, roupa e protetor solar.
- Composição corporal. A massa e a força musculares reduzem gradualmente a partir da terceira década.
- Variedade da dieta. Alterações de apetite, paladar e mastigação estreitam o cardápio, e é a variedade que sustenta o aporte de micronutrientes.
Dos 20 aos 35 anos
O que costuma pesar nesta fase
- Vitamina D: a síntese cutânea depende de rotina ao ar livre. Trabalho em ambiente fechado reduz a exposição, mesmo em região de alta incidência solar.
- Vitamina C: auxilia no funcionamento do sistema imune e na proteção das células contra radicais livres. Fontes: acerola, goiaba, caju, laranja, kiwi, pimentão.
- Zinco: auxilia no sistema imune, na divisão celular e no metabolismo de proteínas e carboidratos. IDR de 7 mg para adultos, com limite máximo de 29,59 mg por dia em suplementos.
- Ferro e ácido fólico: em mulheres em idade fértil e em planejamento de gestação, seguem protocolo médico com exame, dose e período definidos em consulta.
Nesta faixa, a absorção costuma estar preservada e a dieta tende a ser mais variada. O ponto de atenção é a lacuna específica, não a suplementação ampla.
Dos 35 aos 50 anos
O que costuma pesar nesta fase
- Cálcio e vitamina D: o cálcio auxilia na formação e manutenção de ossos e dentes; a vitamina D auxilia na absorção de cálcio e fósforo e na manutenção de ossos e dentes.
- Magnésio: auxilia no funcionamento do sistema nervoso e muscular e no metabolismo energético. IDR de 260 mg para adultos, com limite de 350 mg por dia proveniente de suplementos.
- Complexo B: auxilia no metabolismo energético e no funcionamento do sistema nervoso.
- Polivitamínico: cobertura de bases quando a dieta é restritiva ou irregular.
Formas químicas passam a importar mais na comparação de rótulos: carbonato e citrato de cálcio diferem em teor elementar e em dependência do pH gástrico; óxido, citrato e bisglicinato de magnésio diferem em teor elementar e solubilidade.
Dos 50 aos 65 anos
O que costuma pesar nesta fase
- Vitamina B12: auxilia na formação de células vermelhas e no funcionamento do sistema nervoso. A B12 de suplemento vem em forma livre e não depende da etapa gástrica de liberação.
- Cálcio e vitamina D: a densidade mineral óssea reduz de forma mais acentuada em mulheres após a menopausa. É uma característica descrita da fisiologia dessa fase.
- Magnésio: auxilia no funcionamento do sistema nervoso e muscular e no metabolismo energético.
- Regularidade: a constância de uso importa mais que a escolha entre marcas.
Após os 65 anos
O que costuma pesar nesta fase
- Vitamina B12: a redução da acidez gástrica e do fator intrínseco altera a fração aproveitada da B12 alimentar.
- Vitamina D: síntese cutânea reduzida e menos tempo ao ar livre.
- Proteína alimentar: não é micronutriente, mas é o aporte relacionado à manutenção da massa muscular, distribuído ao longo do dia e associado a trabalho de força.
- Polivitamínico com composição ajustada à faixa etária, como o All 26 Geriatric.
Textura e preparo dos alimentos ganham peso quando a mastigação é limitante. Legumes cozidos, purês, carnes tenras, ovos e iogurte mantêm categorias alimentares no cardápio.
Como ler um rótulo em qualquer fase
- Compare a quantidade por porção com a IDR do nutriente.
- Verifique o percentual de valor diário na tabela nutricional.
- Confira o limite máximo estabelecido para suplementos alimentares.
- Some o que vem de outros produtos: polivitamínico mais mineral isolado pode ultrapassar o limite.
- Leia a forma química declarada, e não apenas o nome do nutriente.
- Confira o número de notificação na ANVISA e a validade.
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Controle de qualidade FDC
A FDC mantém laboratório próprio de controle de qualidade. Minerais e metais pesados são quantificados por espectrometria de absorção atômica; vitaminas, por cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC). Cada lote tem laudo. A fabricação segue as Boas Práticas de Fabricação e os produtos são notificados na ANVISA, com metais pesados dentro dos limites da legislação vigente.
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Ver todos os produtos FDCReferências
- Instrução Normativa nº 28/2018, ANVISA. Lista de constituintes, limites de uso e alegações de suplementos alimentares.
- Legislação vigente sobre suplementos alimentares e rotulagem nutricional, ANVISA.
- Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018, IBGE.
- Guia Alimentar para a População Brasileira, Ministério da Saúde.
Perguntas frequentes
O que muda na absorção de nutrientes depois dos 50 anos?
A secreção de ácido gástrico tende a diminuir, o que altera a liberação da vitamina B12 ligada às proteínas do alimento e a dissolução de sais minerais que dependem de meio ácido. A síntese cutânea de vitamina D também se reduz com a idade. São características de fisiologia. A avaliação individual é feita por médico ou nutricionista.
Polivitamínico serve para todas as idades?
A composição varia conforme a faixa etária. O que define a escolha é a comparação da quantidade por porção com a IDR e com o limite máximo de cada nutriente, somando o que vem de outros produtos em uso.
O que a legislação brasileira diz sobre ômega-3 e CoQ10?
As alegações de função para EPA e DHA dependem da quantidade por porção: a legislação exige 1.500 mg de EPA+DHA por porção. Confira a tabela nutricional do produto. Para a coenzima Q10, a legislação brasileira não prevê alegação de função. Podem ser consumidos como suplemento alimentar, respeitando o que o rótulo declara.
Como comparar dois rótulos do mesmo mineral?
Compare o mineral elementar por porção, e não o peso do sal. Verifique também a forma química declarada, o percentual de valor diário e o limite máximo do nutriente para suplementos alimentares.