Vitamina C: fontes alimentares, estabilidade e perdas no preparo

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Ampolas de vitamina C ao lado de fatias de laranja e seringa.

A vitamina C é a mais instável das vitaminas de uso comum. Ela se degrada com calor, luz e oxigênio, e boa parte do teor declarado em uma tabela de composição de alimentos não chega ao prato. Entender isso muda a forma de olhar tanto para a alimentação quanto para o suplemento.

O que a legislação brasileira reconhece

Pelo Anexo III da IN 28/2018 da ANVISA, a vitamina C:

  • auxilia no funcionamento normal do sistema imune;
  • auxilia na proteção das células contra os danos causados pelos radicais livres;
  • auxilia na formação normal do colágeno;
  • auxilia na absorção de ferro dos alimentos.

Quatro alegações. Nem mais, nem em outra redação.

Por que a vitamina C se perde tão facilmente

O ácido ascórbico é hidrossolúvel e facilmente oxidado. Três fatores explicam a perda:

  • Calor. A degradação acelera com a temperatura. Cocção prolongada reduz o teor de forma significativa.
  • Água. Sendo hidrossolúvel, a vitamina migra para a água de cozimento. Se a água é descartada, o nutriente vai junto. Cozimento no vapor perde menos que fervura.
  • Oxigênio e luz. Alimento cortado, exposto ao ar e à luz oxida progressivamente. Suco de laranja perde teor a cada hora aberto na geladeira.

Daí as orientações práticas: consumir cru quando possível, cortar pouco antes de comer, cozinhar rápido e em pouca água, e evitar armazenamento longo.

Fontes alimentares concentradas

Alguns valores de referência por 100 g de alimento fresco, em ordem decrescente aproximada:

  • Acerola — a fonte mais concentrada disponível no Brasil, por larga margem;
  • Caju e goiaba;
  • Pimentão amarelo e vermelho;
  • Kiwi, mamão e morango;
  • Brócolis, couve e couve-de-bruxelas;
  • Laranja, limão e tangerina;
  • Tomate.

A laranja é a fonte mais lembrada, mas está longe de ser a mais concentrada. Pimentão cru e brócolis costumam superar frutas cítricas por grama.

IDR, teto de suplementação e o que o %VD diz

A IDR de vitamina C para adultos no Brasil é de 45 mg. O limite máximo em suplementos alimentares para adultos é de 1000 mg por dia.

Esses dois números não competem entre si. A IDR é a base de cálculo do %VD na tabela nutricional. O limite máximo é o teto regulatório da categoria de suplemento alimentar. Um produto de 1000 mg mostrará %VD muito acima de 100% simplesmente porque a IDR de referência é 45 mg.

O organismo não armazena vitamina C em grande quantidade. O excedente circulante é eliminado pela urina, o que explica por que a ingestão regular importa mais do que a dose isolada.

Vitamina C e ferro não-heme

Uma interação nutricional bem estabelecida: a vitamina C aumenta a absorção do ferro não-heme, presente em alimentos de origem vegetal. O ácido ascórbico reduz o ferro à forma ferrosa, mais absorvível no intestino. Na prática, isso é um argumento a favor de combinar, na mesma refeição, uma fonte vegetal de ferro com uma fonte de vitamina C.

Como ler a tabela nutricional de um suplemento

  1. Porção: quantos comprimidos ou cápsulas o fabricante considera uma porção.
  2. Quantidade por porção: em miligramas de vitamina C.
  3. Porções por embalagem: converte o frasco em dias de uso.
  4. %VD: calculado sobre 45 mg.
  5. Forma e apresentação: ácido ascórbico em liberação imediata ou em ação prolongada, comprimido revestido ou não.

Controle de qualidade FDC

A FDC opera laboratório próprio. O teor de vitaminas é verificado por cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC) e os minerais por espectrometria de absorção atômica, com laudo por lote. A produção segue Boas Práticas de Fabricação (BPF) e os produtos são notificados na ANVISA. No caso da vitamina C, essa verificação importa especialmente: é um ativo que se degrada, e o teor precisa ser confirmado no lote, não presumido pela fórmula.

Orientação de uso

Siga o rótulo. A avaliação de necessidade e dose cabe a médico ou nutricionista.

Referências

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Instrução Normativa nº 28, de 26 de julho de 2018.

VANNUCCHI, H.; ROCHA, M. M. Ácido ascórbico (vitamina C). São Paulo: ILSI Brasil, 2012.

Suplemento alimentar. Não é medicamento. Não substitui uma alimentação variada e equilibrada nem estilo de vida saudável. Não diagnostica, trata, cura nem previne doenças. Consulte médico ou nutricionista.

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