A coenzima Q10 aparece em muitas fórmulas e em muito texto comercial. Este artigo trata do que ela é quimicamente, de onde está no organismo e de como comparar duas formulações.
Antes de tudo: o que a legislação prevê
A legislação brasileira não prevê alegação de função para esta substância. A coenzima Q10 pode ser consumida como suplemento alimentar, e sua composição e forma química podem ser descritas — mas nenhuma função pode ser atribuída a ela em rótulo ou em conteúdo.
O que segue é descrição de bioquímica e de formulação, não promessa de efeito.
O que é a coenzima Q10
A coenzima Q10, também chamada de ubidecarenona, é uma quinona lipofílica produzida pelo próprio organismo. Está presente em praticamente todos os tecidos, com concentração maior em tecidos de alta demanda energética.
Do ponto de vista bioquímico, é um componente da cadeia transportadora de elétrons, na membrana interna da mitocôndria. Também aparece em outras frações celulares e nas lipoproteínas plasmáticas. Essa é uma descrição de onde a molécula está e do papel que exerce na fisiologia — não de um efeito de suplementação.
Ubiquinona e ubiquinol
A molécula circula entre duas formas, conforme seu estado de oxidação:
- Ubiquinona é a forma oxidada. É a forma mais usada em suplementos, e a mais estável.
- Ubiquinol é a forma reduzida. É menos estável e exige cuidado maior de formulação e embalagem.
O organismo converte uma forma na outra. A forma declarada aparece na lista de ingredientes e é um critério objetivo de comparação entre produtos.
Lipossolubilidade e veículo
A coenzima Q10 é lipossolúvel. Por isso costuma ser apresentada em cápsulas softgel, com um veículo oleoso, e a orientação usual é consumir junto de uma refeição que contenha gordura.
Ao comparar dois produtos, observe a apresentação (softgel ou cápsula seca), o veículo declarado e a proteção da embalagem contra luz.
Produção endógena ao longo da vida
A síntese endógena de coenzima Q10 é descrita como decrescente a partir da terceira década de vida. É um dado descritivo de fisiologia. Não autoriza, por si, nenhuma alegação sobre suplementação.
Como ler o rótulo
- A quantidade em miligramas por cápsula e por porção.
- Quantas cápsulas formam a porção declarada.
- A forma química: ubiquinona ou ubiquinol.
- O número de porções no frasco, que define a duração real.
- O número de notificação na ANVISA, o lote e a validade.
- As advertências do rótulo.
Orientação profissional
A coenzima Q10 pode interagir com medicamentos. Quem usa medicação contínua deve conversar com médico antes de incluir o produto na rotina. A decisão, a dose e o período cabem ao profissional que acompanha o caso.
Controle de qualidade FDC
A FDC mantém laboratório próprio de controle de qualidade, com cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC) e espectrometria de absorção atômica para minerais e metais pesados, com laudo por lote. A fabricação segue as Boas Práticas de Fabricação e os produtos são notificados na ANVISA.
Suplemento alimentar. Não é medicamento. Não substitui uma alimentação variada e equilibrada nem estilo de vida saudável. Não diagnostica, trata, cura nem previne doenças. Consulte médico ou nutricionista.