“Antioxidante” é uma das palavras mais usadas em rótulos e mais mal compreendidas em conversas sobre alimentação. Este artigo explica o que o termo significa em bioquímica, quais nutrientes têm alegação reconhecida no Brasil e onde encontrá-los.
Radicais livres: o que são
Radicais livres são moléculas com um elétron desemparelhado, o que as torna quimicamente reativas. Elas se formam continuamente como subproduto do metabolismo normal — na respiração celular, por exemplo — e também em resposta a fatores externos como poluição, radiação solar e tabagismo.
Sua presença não é uma anomalia. O organismo produz radicais livres de propósito em vários processos fisiológicos, e mantém mecanismos próprios de controle. O que se descreve como estresse oxidativo é um desequilíbrio entre a produção dessas espécies reativas e a capacidade do organismo de neutralizá-las.
O que faz um antioxidante
Antioxidante é o nome dado a compostos capazes de doar elétrons a essas moléculas reativas sem se tornarem reativos por sua vez, interrompendo a reação em cadeia. Alguns são produzidos pelo próprio organismo; outros vêm da alimentação.
O que a legislação brasileira reconhece
Aqui vale um corte importante. A ANVISA mantém uma lista fechada de alegações de função de nutrientes. Sobre ação antioxidante, a formulação reconhecida é sempre a mesma — auxilia na proteção das células contra radicais livres — e vale para um conjunto restrito de nutrientes:
- Vitamina C: auxilia na proteção das células contra radicais livres, no funcionamento do sistema imune, na formação normal do colágeno e na absorção de ferro.
- Zinco: auxilia na proteção das células contra radicais livres, no funcionamento do sistema imune, no processo de divisão celular e no metabolismo de proteínas e carboidratos.
- Selênio: auxilia na proteção das células contra radicais livres e no funcionamento do sistema imune.
Repare no que a alegação não diz: nada sobre envelhecimento, doenças crônicas, inflamação ou qualquer desfecho clínico. Ela descreve a participação do nutriente em um processo celular. Textos que atribuem a antioxidantes a capacidade de evitar doenças estão indo além do que a evidência e a legislação sustentam.
Onde encontrar na alimentação
- Vitamina C: acerola, goiaba, caju, laranja, tangerina, kiwi, morango, abacaxi, mamão, pimentão, brócolis, couve e salsa.
- Zinco: carne bovina, frango, peixes, frutos do mar, ovos, sementes de abóbora, castanhas e leguminosas.
- Selênio: castanha-do-pará (a fonte mais concentrada da alimentação brasileira), peixes, ovos e cereais.
Outros compostos vegetais — carotenoides, flavonoides, licopeno, compostos fenólicos — são estudados por suas propriedades químicas, mas não possuem alegação de função autorizada individualmente. Eles fazem parte do valor de uma alimentação variada e colorida, sem que isso signifique promessa de resultado.
Sazonalidade ajuda
Frutas e hortaliças de safra costumam estar mais frescas, mais baratas e com melhor perfil nutricional. No inverno brasileiro, as cítricas estão em alta — laranja, tangerina, limão. No verão, manga, melancia, abacaxi e caju. Variar conforme a estação é uma forma prática de diversificar a alimentação sem depender de listas fixas.
Vale lembrar que a vitamina C é sensível ao calor, à luz e ao contato prolongado com água. Preparos crus, cortes próximos ao consumo e cozimentos curtos preservam mais.
Quando a suplementação entra
A suplementação é um complemento da alimentação, indicada quando a ingestão pela dieta não é suficiente. Essa avaliação cabe a médico ou nutricionista. Ao comparar produtos, olhe a porção declarada, a quantidade por porção, o %VD e o número de porções no frasco — e respeite o limite máximo de suplementação previsto na legislação, especialmente para minerais.
Controle de qualidade FDC
Os lotes FDC são analisados em laboratório próprio: HPLC para teor de vitaminas, espectrometria de absorção atômica para minerais, laudo por lote e produção dentro das Boas Práticas de Fabricação (BPF). Produtos notificados na ANVISA, com metais pesados dentro dos limites da legislação vigente.
Suplemento alimentar. Não é medicamento. Não substitui uma alimentação variada e equilibrada nem estilo de vida saudável. Não diagnostica, trata, cura nem previne doenças. Consulte médico ou nutricionista.