“Aumentar a imunidade” é uma expressão comum, mas imprecisa. O sistema imune não funciona como um volume que se sobe ou se desce. Ele é uma rede de órgãos, células e moléculas que trabalha de forma coordenada. Este artigo descreve como essa rede está organizada e quais nutrientes têm papel reconhecido no seu funcionamento.
Como o sistema imune está organizado
De forma simplificada, o sistema imune opera em camadas.
Barreiras físicas e químicas
A pele íntegra e as mucosas do trato respiratório, digestivo e urinário formam a primeira camada. O muco e os cílios do trato respiratório ajudam a reter e deslocar partículas. A acidez do estômago e as enzimas presentes em secreções também fazem parte dessa camada.
Resposta inata
É a resposta rápida e não específica, presente desde o nascimento. Envolve células como neutrófilos, macrófagos e células dendríticas, além de proteínas circulantes. Ela não distingue com precisão entre diferentes agentes e não guarda memória do que encontrou.
Resposta adaptativa
É mais lenta e mais específica. Envolve linfócitos T e B e a produção de anticorpos. Essa camada guarda memória: em um novo contato com o mesmo antígeno, a resposta é mais rápida. É esse mecanismo que fundamenta a vacinação.
Onde a nutrição entra nessa história
Todas essas camadas dependem de processos celulares básicos: divisão celular, síntese de proteínas, integridade de membranas. Esses processos usam vitaminas e minerais como cofatores. Por isso a legislação brasileira reconhece que alguns nutrientes auxiliam no funcionamento do sistema imune — uma afirmação sobre participação em processos fisiológicos, não sobre desfecho clínico.
Nutrientes com essa alegação reconhecida:
- Vitamina C: auxilia no funcionamento do sistema imune, na proteção das células contra radicais livres, na formação normal do colágeno e na absorção de ferro.
- Vitamina D: auxilia no funcionamento do sistema imune, na absorção de cálcio e fósforo, na manutenção de ossos e dentes e no funcionamento muscular.
- Zinco: auxilia no funcionamento do sistema imune, no processo de divisão celular, no metabolismo de proteínas e carboidratos e na proteção das células contra radicais livres.
- Selênio: auxilia no funcionamento do sistema imune e na proteção das células contra radicais livres.
- Ferro: auxilia no funcionamento do sistema imune, no transporte de oxigênio e na formação de células vermelhas do sangue.
Essa é a lista completa de nutrientes com essa alegação. Nenhum deles — isolado ou em combinação — tem alegação autorizada de evitar infecções, reduzir sintomas ou encurtar a duração de qualquer quadro. Quem afirma isso está extrapolando o que a evidência e a legislação permitem.
Fontes alimentares
- Vitamina C: acerola, goiaba, caju, laranja, kiwi, morango, pimentão, brócolis, couve.
- Vitamina D: peixes gordurosos, gema de ovo, alimentos fortificados; principal via de obtenção é a exposição solar.
- Zinco: carnes, frutos do mar, ovos, sementes de abóbora, castanhas, leguminosas.
- Selênio: castanha-do-pará, peixes, ovos, cereais.
- Ferro: carnes vermelhas, fígado, leguminosas e vegetais verde-escuros — estes últimos com aproveitamento menor, que melhora quando combinados com fontes de vitamina C na mesma refeição.
Hábitos de rotina
Há práticas de consenso em saúde pública que fazem parte de uma rotina cuidadosa, independentemente da estação: sono regular, atividade física dentro da sua capacidade, hidratação ao longo do dia, alimentação variada, higiene das mãos e ventilação de ambientes fechados. Manter o calendário de vacinação em dia é uma recomendação das autoridades de saúde e não tem relação com suplementação — são coisas distintas, que não se substituem.
Quando considerar suplementação
A suplementação entra como complemento da alimentação quando a ingestão pela dieta não é suficiente, e a avaliação disso cabe a médico ou nutricionista. Situações em que essa conversa costuma fazer sentido: dietas restritivas, mudanças de fase da vida, exames que apontem ingestão insuficiente ou baixa exposição solar.
Controle de qualidade FDC
Os lotes FDC são verificados em laboratório próprio: HPLC para teor de vitaminas, espectrometria de absorção atômica para minerais, laudo por lote e produção em Boas Práticas de Fabricação (BPF). Produtos notificados na ANVISA, com metais pesados dentro dos limites da legislação vigente.
Suplemento alimentar. Não é medicamento. Não substitui uma alimentação variada e equilibrada nem estilo de vida saudável. Não diagnostica, trata, cura nem previne doenças. Consulte médico ou nutricionista.