Porção diária de vitamina C: o que a IDR significa no rótulo

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Alimentos ricos em Vitamina C, como laranja, kiwi, pimentão e brócolis.

Vitamina C FDC

A vitamina C, ou ácido ascórbico, tem uma particularidade que a maioria dos mamíferos não compartilha: a espécie humana não a sintetiza. A via enzimática que converte glicose em ácido ascórbico está incompleta em humanos. Ela precisa vir da alimentação e, quando indicado, da suplementação.

Some-se a isso o fato de que o organismo não a armazena em grande quantidade — sendo hidrossolúvel, o excedente circulante é eliminado pela urina — e chega-se à conclusão prática: no caso da vitamina C, regularidade importa mais que dose pontual.

O que a legislação brasileira reconhece

Pelo Anexo III da IN 28/2018 da ANVISA, um suplemento de vitamina C pode declarar que:

  • auxilia no funcionamento normal do sistema imune;
  • auxilia na proteção das células contra os danos causados pelos radicais livres;
  • auxilia na formação normal do colágeno;
  • auxilia na absorção de ferro dos alimentos.

"Porção" é um termo técnico, não comercial

Na tabela nutricional, porção é a quantidade de produto que o fabricante define como unidade de consumo. Pode ser um comprimido, dois comprimidos ou uma cápsula. Todos os valores da tabela — quantidade de vitamina C, %VD — referem-se a essa porção, não ao comprimido isolado.

É o campo mais ignorado do rótulo e o que mais distorce comparações. Dois produtos podem anunciar "1000 mg" e um deles exigir dois comprimidos para chegar lá. Nesse caso, o frasco de 100 comprimidos rende 50 dias, não 100.

A conta que resolve: porções por embalagem = dias de uso. Divida o preço por esse número.

IDR de 45 mg e o %VD

A Ingestão Diária Recomendada de vitamina C para adultos no Brasil é de 45 mg. É esse valor — e não outro — que gera o %VD impresso na tabela.

Por isso um produto de 1000 mg exibe %VD muito acima de 100%. Não é erro nem excesso irregular: é aritmética. O limite máximo de vitamina C em suplementos alimentares para adultos é de 1000 mg por dia, ou seja, esse produto está no teto da categoria.

Os dois números respondem a perguntas distintas. A IDR é referência de adequação nutricional. O limite máximo é teto regulatório de segurança para uso sem acompanhamento profissional.

Vitamina C e ferro não-heme

O ferro dos alimentos aparece em duas formas. O ferro heme, de origem animal, é absorvido por uma via própria e com eficiência relativamente alta. O ferro não-heme, presente em feijão, lentilha, grão-de-bico, folhas escuras e cereais, tem absorção menor e mais sensível ao que está na mesma refeição.

O ácido ascórbico reduz o ferro férrico a ferro ferroso, forma mais bem absorvida na mucosa intestinal, e ainda forma com ele um complexo solúvel que resiste a inibidores presentes na refeição, como fitatos e taninos.

Consequência prática, e é um fato nutricional simples: combinar uma fonte vegetal de ferro com uma fonte de vitamina C na mesma refeição aumenta a fração de ferro absorvida. Feijão com couve, lentilha com limão, grão-de-bico com tomate.

Fontes alimentares

Acerola, caju, goiaba, pimentão cru, kiwi, mamão, morango, brócolis, couve, laranja e limão. A laranja é a mais lembrada, mas pimentão e brócolis costumam superar frutas cítricas em teor por grama.

Como a vitamina C é sensível a calor, luz e oxigênio, consumo cru, cocção breve e armazenamento curto preservam mais.

Controle de qualidade FDC

A FDC opera laboratório próprio. O teor de vitaminas é verificado por cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC) e os minerais por espectrometria de absorção atômica, com laudo por lote. A fabricação segue Boas Práticas de Fabricação (BPF) e os produtos são notificados na ANVISA.

Para um ativo que se degrada com facilidade, verificar o teor no lote — e não presumi-lo pela fórmula — é o ponto que separa um controle de qualidade real de um selo na embalagem.

Orientação de uso

Siga o rótulo. Necessidade e dose devem ser avaliadas por médico ou nutricionista.

Referências

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Instrução Normativa nº 28, de 26 de julho de 2018.

VANNUCCHI, H.; ROCHA, M. M. Ácido ascórbico (vitamina C). São Paulo: ILSI Brasil, 2012.

Suplemento alimentar. Não é medicamento. Não substitui uma alimentação variada e equilibrada nem estilo de vida saudável. Não diagnostica, trata, cura nem previne doenças. Consulte médico ou nutricionista.

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