“Como funciona”, no caso de um mineral, é uma pergunta de química antes de ser uma pergunta de efeito. É assim que ela vai ser respondida aqui.
O cromo não anda sozinho
Cromo é um mineral-traço. Em um suplemento, ele nunca aparece isolado: está sempre ligado a uma molécula carregadora. Essa molécula define a solubilidade do composto, sua estabilidade no meio ácido do estômago e a quantidade de cromo elementar por miligrama de matéria-prima.
No picolinato de cromo, o cromo trivalente está ligado ao ácido picolínico. A ligação forma um quelato — uma estrutura em que a molécula orgânica envolve o mineral em mais de um ponto. Quelatos tendem a ser mais estáveis do que sais inorgânicos simples.
É esse o motivo técnico de o picolinato ser a forma predominante em suplementos de cromo. Não é um efeito extra: é uma propriedade do composto.
Formas disponíveis
- Picolinato de cromo: quelato de cromo trivalente com ácido picolínico. Estável, solúvel, o mais utilizado.
- Cloreto de cromo: sal inorgânico simples, de estrutura menos estável em meio gástrico.
- Cromo de levedura: mineral incorporado à biomassa de levedura; teor elementar mais variável.
Uma distinção importante: cromo trivalente é a espécie presente em alimentos e suplementos. Cromo hexavalente é contaminante industrial. Não são a mesma substância nem se comportam da mesma forma.
Quanto cromo por dia
A IDR de cromo para adultos no Brasil é de 35 mcg. Microgramas — milésimos de miligrama. Poucas recomendações diárias de mineral são tão baixas.
Duas consequências práticas: primeiro, sempre confira a unidade no rótulo, porque mcg e mg diferem por um fator de mil. Segundo, não há razão para somar cápsulas ao longo do dia. Siga a porção indicada.
A alegação autorizada
“O cromo auxilia no metabolismo normal de macronutrientes.”
Macronutrientes: carboidratos, proteínas e gorduras. Essa é a única alegação de função prevista para o cromo em suplementos alimentares no Brasil. Qualquer coisa dita além disso — sobre peso, apetite, doce ou glicemia — está fora da regra do produto, e não vai aparecer aqui.
Fontes alimentares
Carnes, peixes, ovos, grãos integrais, oleaginosas, cogumelos, vegetais verde-escuros, maçã, banana, uva e levedura de cerveja. A distribuição é ampla e as quantidades são pequenas em cada alimento, o que combina com uma IDR tão baixa. Alimentação variada tende a dar conta.
Lendo a tabela nutricional
- Porção: quantas cápsulas formam o uso diário.
- Quantidade por porção e % IDR: quanto de cromo, em mcg, em relação aos 35 mcg de referência.
- Porções por embalagem: quantos dias o frasco cobre. Base correta para comparar preço.
- Ingredientes: onde a forma química real está escrita.
Tolerância e constância
A tolerância digestiva nas quantidades usuais é boa; tomar com uma refeição costuma ser mais confortável. Não existe horário ideal — existe o horário que você consegue manter. A avaliação sobre começar ou não cabe ao nutricionista ou ao médico, com base na sua dieta e nos seus exames.
Controle de qualidade FDC
A FDC tem laboratório próprio. Minerais como o cromo são quantificados por espectrometria de absorção atômica, método específico para elementos metálicos. Vitaminas são analisadas por cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC). Cada lote tem laudo.
Suplemento alimentar. Não é medicamento. Não substitui uma alimentação variada e equilibrada nem estilo de vida saudável. Não diagnostica, trata, cura nem previne doenças. Consulte médico ou nutricionista.
