Exercício físico não começa e termina na academia. Regularidade depende de aderência, e aderência depende de gostar do que se faz. A dança entra nessa conta.
O que a dança solicita do corpo
Do ponto de vista de fisiologia do exercício, dançar combina elementos que costumam ser treinados separadamente:
- Trabalho aeróbico contínuo. Blocos, ensaios e aulas mantêm a frequência cardíaca elevada por longos períodos.
- Amplitude de movimento. Passos de frevo, samba e axé exigem amplitude articular em quadril, tornozelo e coluna.
- Coordenação motora. Sequências rítmicas envolvem coordenação entre membros superiores e inferiores e ajuste de tempo.
- Solicitação muscular distribuída. Membros inferiores e musculatura do tronco trabalham de forma contínua para sustentar postura e transferência de peso.
- Equilíbrio. Mudanças de direção e apoio unipodal solicitam controle postural.
- Convívio. É uma atividade coletiva, e isso pesa na consistência com que alguém mantém o hábito.
Carnaval e progressão de carga
Quem não tem rotina de exercício e passa oito horas em um bloco está fazendo um volume de esforço muito acima do habitual, de uma vez só. Isso é progressão de carga abrupta, e progressão abrupta é o cenário clássico de lesão.
Algumas medidas básicas:
- Calçado fechado, com solado e ajuste adequados ao tempo em pé.
- Pausas ao longo do dia, e não só no fim.
- Hidratação distribuída, especialmente em calor e umidade altos.
- Atenção a dor articular que aparece durante ou depois. Dor persistente é assunto de médico, não de resistência.
Depois do feriado
O ponto mais útil do carnaval, do ponto de vista de rotina, é servir de início. Atividade física regular é recomendação de consenso para a população adulta, junto de trabalho de força, alimentação variada, hidratação e consultas de rotina. Orientação de profissional de educação física ajuda a montar a progressão.
Sobre suplementos
Suplemento alimentar complementa a alimentação. Ele não substitui treino, descanso nem hidratação. As alegações autorizadas no Brasil estão na IN 28/2018 da ANVISA: o magnésio, por exemplo, auxilia no funcionamento do sistema nervoso e muscular e no metabolismo energético; as vitaminas do complexo B auxiliam no metabolismo energético e no funcionamento do sistema nervoso. O verbo é sempre auxilia, e nunca há promessa de disposição, desempenho ou recuperação.
Suplemento alimentar. Não é medicamento. Não substitui uma alimentação variada e equilibrada nem estilo de vida saudável. Não diagnostica, trata, cura nem previne doenças. Consulte médico ou nutricionista.