Radicais livres e treino intenso: o que se pode afirmar

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Atleta em treino de alta intensidade — radicais livres, estresse oxidativo e ação antioxidante da CoQ10
Radicais livres e exercício é um tema em que o marketing costuma ir muito além do que a legislação permite. Este texto descreve a fisiologia envolvida e delimita, com clareza, o que pode e o que não pode ser afirmado.

O ponto de partida: o que a legislação prevê

A legislação brasileira não prevê alegação de função para a coenzima Q10. Ela pode ser consumida como suplemento alimentar e sua composição pode ser descrita, mas nenhuma função pode ser atribuída a ela em rótulo ou em conteúdo — inclusive no contexto de exercício, recuperação ou desempenho.

Entre os nutrientes com alegação autorizada ligada à proteção celular, a lista da ANVISA traz:

Vitamina C: auxilia na proteção das células contra os radicais livres.

Vitamina E: auxilia na proteção das células contra os radicais livres.

Zinco: auxilia na proteção das células contra os radicais livres, no sistema imune, na divisão celular e no metabolismo de proteínas e carboidratos.

Selênio: auxilia na proteção das células contra os radicais livres e no sistema imune.

Nenhuma dessas alegações se refere a desempenho, recuperação muscular, dor pós-treino ou adaptação ao treinamento. Não existe alegação autorizada de nutriente para esses desfechos no Brasil.

O que são espécies reativas de oxigênio

Espécies reativas de oxigênio (EROs), popularmente chamadas de radicais livres, são moléculas produzidas naturalmente pelo metabolismo celular, especialmente durante a produção de energia nas mitocôndrias.

O organismo possui sistemas antioxidantes endógenos — entre eles superóxido dismutase, catalase e glutationa — que participam da neutralização dessas moléculas. Quando a produção supera essa capacidade, a literatura descreve o quadro como estresse oxidativo.

Por que o exercício intenso aumenta a produção

Durante o exercício de alta intensidade, o consumo de oxigênio aumenta várias vezes em relação ao repouso e a produção de ATP acelera. A geração de EROs acompanha esse aumento — é um subproduto do próprio metabolismo energético.

Um ponto que raramente aparece em texto comercial: a literatura descreve as EROs também como moléculas sinalizadoras. Certo nível delas participa da sinalização das adaptações ao treino. Por isso a ideia de “eliminar radicais livres” não corresponde ao que se sabe da fisiologia.

Onde a coenzima Q10 está nessa história

A coenzima Q10 é um componente da cadeia transportadora de elétrons, na membrana interna da mitocôndria. Circula entre duas formas conforme o estado de oxidação: ubiquinona, a forma oxidada, e ubiquinol, a forma reduzida.

Essa é uma descrição de bioquímica: onde a molécula está e que papel exerce na fisiologia normal. Não é uma afirmação sobre o que a suplementação produz, e a legislação brasileira não autoriza transformá-la em alegação.

Produção endógena ao longo da vida

A literatura de fisiologia descreve a síntese endógena de coenzima Q10 como decrescente a partir da terceira década de vida. É um dado descritivo, e não uma indicação de suplementação.

Antioxidantes em dose alta e treinamento

O uso de antioxidantes em doses elevadas durante períodos de treinamento é tema debatido na literatura, justamente pelo papel sinalizador das EROs. Essa é mais uma razão pela qual a orientação de um nutricionista esportivo ou médico vem antes da decisão de suplementar, e não depois.

Respeitar o limite máximo de cada nutriente declarado na legislação e somar o que vem de outros produtos em uso são cuidados básicos.

Como ler um rótulo de CoQ10

  • A quantidade em miligramas por cápsula e por porção declarada.
  • Quantas cápsulas formam a porção.
  • A forma química declarada: ubiquinona ou ubiquinol.
  • A apresentação e o veículo — por ser lipossolúvel, costuma vir em softgel com veículo oleoso.
  • O número de porções no frasco, que define a duração real.
  • O número de notificação na ANVISA, o lote, a validade e as advertências.

Recuperação: o que de fato tem consenso

Como orientação geral de rotina de quem treina, e sem promessa de resultado: progressão de carga planejada, sono adequado, alimentação variada com aporte proteico distribuído ao longo do dia, hidratação e dias de menor volume dentro da semana. Nada disso é substituído por suplemento.

A coenzima Q10 pode interagir com medicamentos. Quem usa medicação contínua deve conversar com médico antes de incluir o produto na rotina.

Controle de qualidade FDC

A FDC mantém laboratório próprio de controle de qualidade, com cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC) para doseamento e espectrometria de absorção atômica para minerais e metais pesados, com laudo por lote. A fabricação segue as Boas Práticas de Fabricação e os produtos são notificados na ANVISA.

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Referências

  • ANVISA. Instrução Normativa nº 28/2018 — alegações de propriedade funcional autorizadas para nutrientes.
  • ANVISA. Legislação vigente sobre suplementos alimentares e limites máximos de nutrientes.

Perguntas frequentes

O que causa estresse oxidativo durante o treino?

O exercício de alta intensidade aumenta o consumo de oxigênio e a produção de espécies reativas de oxigênio como subproduto do metabolismo energético. Quando a produção supera a capacidade antioxidante do organismo, a literatura descreve o quadro como estresse oxidativo.

A CoQ10 tem alegação autorizada para treino no Brasil?

Não. A legislação brasileira não prevê alegação de função para a coenzima Q10, em nenhum contexto. Sua composição e forma química podem ser descritas, mas nenhuma função pode ser atribuída a ela.

Quais nutrientes têm alegação autorizada de proteção das células contra radicais livres?

Vitamina C, vitamina E, zinco e selênio auxiliam na proteção das células contra os radicais livres. Nenhuma dessas alegações se refere a desempenho ou recuperação muscular.

Eliminar radicais livres é desejável?

A literatura descreve as espécies reativas de oxigênio também como moléculas sinalizadoras, com papel na sinalização das adaptações ao treino. Por isso a ideia de eliminá-las não corresponde ao que se sabe da fisiologia.

As informações fornecidas neste site destinam-se ao conhecimento geral e não devem substituir o atendimento médico ou o tratamento de condições específicas de saúde. As informações contidas aqui não se destinam a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença. Procure sempre o aconselhamento do seu médico ou outro prestador de cuidados de saúde qualificado com qualquer dúvida sobre sua condição médica. Nunca desconsidere o conselho médico nem demore a buscá-lo por causa de algo que tenha lido em nosso site ou mídias sociais.

Suplementos alimentares não substituem medicamentos nem uma alimentação variada e equilibrada. Consulte um profissional de saúde antes de iniciar a suplementação. Não exceder a dose diária recomendada.

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