“Aumentar a imunidade” é uma expressão comum e imprecisa. O sistema imune não funciona como um nível que se eleva. Este artigo trata do que é possível afirmar com base na legislação brasileira e em que contextos a suplementação costuma ser discutida com um profissional.
A lista fechada de alegações
A ANVISA mantém uma lista fechada de alegações de função de nutrientes. Sobre sistema imune, são cinco nutrientes:
- Vitamina C: auxilia no funcionamento do sistema imune, na proteção das células contra radicais livres, na formação normal do colágeno e na absorção de ferro.
- Vitamina D: auxilia no funcionamento do sistema imune, na absorção de cálcio e fósforo, na manutenção de ossos e dentes e no funcionamento muscular.
- Zinco: auxilia no funcionamento do sistema imune, no processo de divisão celular, no metabolismo de proteínas e carboidratos e na proteção das células contra radicais livres.
- Selênio: auxilia no funcionamento do sistema imune e na proteção das células contra radicais livres.
- Ferro: auxilia no funcionamento do sistema imune, no transporte de oxigênio e na formação de células vermelhas do sangue.
O verbo é sempre auxilia. A alegação descreve participação em processos fisiológicos — divisão celular, síntese de proteínas, integridade de membranas — e não afirma nenhum desfecho de saúde. Vitaminas A e E, frequentemente citadas nesse contexto, não têm alegação de função relacionada ao sistema imune na legislação brasileira.
Fontes alimentares
- Vitamina C: acerola, goiaba, caju, laranja, tangerina, limão, kiwi, morango, pimentão, brócolis, couve, salsa.
- Vitamina D: salmão, sardinha, atum, gema de ovo e alimentos fortificados. A principal via de obtenção é a síntese na pele pela exposição solar.
- Zinco: carne bovina, frango, peixes, frutos do mar, ovos, sementes de abóbora, castanhas e leguminosas.
- Selênio: castanha-do-pará, peixes, ovos e cereais.
- Ferro: carnes vermelhas, fígado, leguminosas e folhas verde-escuras.
Duas combinações práticas: fontes vegetais de ferro rendem mais quando acompanhadas de vitamina C na mesma refeição; e leguminosas deixadas de molho antes do cozimento têm menos fitatos, o que melhora o aproveitamento do zinco.
Contextos em que a suplementação é discutida
A avaliação é sempre de médico ou nutricionista, idealmente com base em avaliação individual. Situações em que essa conversa costuma fazer sentido:
- Ingestão insuficiente identificada em exames ou em avaliação do consumo alimentar.
- Padrões alimentares restritivos — alimentação vegetariana estrita ou vegana, por exemplo, pede atenção específica à vitamina B12 e ao ferro.
- Baixa exposição solar, no caso da vitamina D.
- Mudanças de fase da vida, que alteram necessidades nutricionais.
Se há alguma queixa persistente de saúde, o caminho é avaliação profissional — não um suplemento comprado por conta própria. Suplemento alimentar não é medicamento.
Hábitos gerais de rotina
Práticas de consenso em saúde pública, válidas o ano inteiro: sono regular, atividade física dentro da sua capacidade, hidratação ao longo do dia, alimentação variada, higiene das mãos e ventilação de ambientes fechados.
Como comparar produtos
- Porção declarada: quantas cápsulas ou comprimidos ela representa. Comparar unidade contra unidade entre marcas diferentes leva a conclusões erradas.
- Quantidade por porção e %VD de cada nutriente.
- Porções por frasco: é esse número que define a duração real do produto.
- Forma química: ácido ascórbico convencional ou de ação prolongada; zinco quelado ou sal inorgânico.
- Advertências e limite máximo de suplementação previstos na legislação, somando todas as fontes da rotina.
Controle de qualidade FDC
Os lotes FDC são analisados em laboratório próprio: cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC) para teor de vitaminas, espectrometria de absorção atômica para minerais, laudo por lote e produção dentro das Boas Práticas de Fabricação (BPF). Produtos notificados na ANVISA, com metais pesados dentro dos limites da legislação vigente.
Suplemento alimentar. Não é medicamento. Não substitui uma alimentação variada e equilibrada nem estilo de vida saudável. Não diagnostica, trata, cura nem previne doenças. Consulte médico ou nutricionista.