Ômega-3 vegetal e ômega-3 marinho: a conversão de ALA em EPA e DHA

4 min de leitura
Ômega-3 vegetal e ômega-3 marinho: a conversão de ALA em EPA e DHA

Linhaça e óleo de peixe aparecem lado a lado em quase toda lista de fontes de ômega-3, como se fossem substitutos. Quimicamente, não são. A diferença está em uma rota enzimática que existe, funciona, e tem limite.

Três moléculas, não uma

Ômega-3 é um nome de família. A classificação depende da posição da primeira dupla ligação na cadeia de carbono: no terceiro carbono a partir da extremidade metila.

  • ALA (ácido alfa-linolênico) — 18 carbonos, três duplas ligações. Origem vegetal.
  • EPA (ácido eicosapentaenoico) — 20 carbonos, cinco duplas ligações. Origem marinha.
  • DHA (ácido docosa-hexaenoico) — 22 carbonos, seis duplas ligações. Origem marinha.

Linhaça, chia e nozes contêm ALA. Peixes de água fria contêm EPA e DHA. São moléculas com tamanhos e graus de insaturação diferentes.

A rota de conversão

O organismo humano não produz ômega-3 a partir do zero — não consegue inserir uma dupla ligação na terceira posição. Por isso o ALA é classificado como ácido graxo essencial e precisa vir da alimentação.

A partir do ALA, porém, o corpo consegue trabalhar. Duas famílias de enzimas atuam:

  • Dessaturases inserem novas duplas ligações.
  • Elongases alongam a cadeia, adicionando carbonos.

A sequência leva ALA (18 carbonos) até EPA (20 carbonos) e, em etapas adicionais, até DHA (22 carbonos).

Por que a conversão é limitada

Três fatores reduzem a eficiência dessa rota.

1. Competição com ômega-6. As mesmas dessaturases e elongases processam ácidos graxos da família ômega-6, especialmente o ácido linoleico. Como as enzimas são compartilhadas, os dois grupos disputam o mesmo caminho. Dietas com muito óleo de soja, milho ou girassol tendem a ocupar essas enzimas.

2. A etapa até DHA é mais restrita. A conversão de ALA em EPA é mais eficiente do que a de EPA em DHA. Quem depende exclusivamente de fontes vegetais tende a formar mais EPA do que DHA.

3. Variabilidade individual. Idade, sexo e composição da dieta influenciam a atividade enzimática.

A consequência prática é direta: aumentar linhaça não produz o mesmo perfil de ácidos graxos que consumir fonte marinha. As duas escolhas são legítimas, mas não são equivalentes.

O que isso muda no rótulo

Um óleo de linhaça não declara EPA e DHA porque não os contém. Isso não é omissão do fabricante, é a composição do produto. O que o rótulo declara é ALA.

Um óleo de peixe deve declarar EPA e DHA em linhas separadas, em miligramas, por porção. Se o rótulo traz apenas "ômega-3: X mg", esse número pode incluir outros ácidos graxos da família e não permite comparação.

Dois cuidados adicionais de leitura:

  • A porção pode ser 1, 2 ou 3 cápsulas. Os valores da tabela nutricional se referem a ela. Padronize antes de comparar produtos.
  • O rendimento do frasco — cápsulas totais divididas pelas cápsulas da porção — diz quantos dias de uso a embalagem cobre.

Fontes, por origem

Marinhas (EPA e DHA prontos): salmão, sardinha, cavala, arenque, atum. Algumas microalgas também produzem EPA e DHA — são, aliás, a base da cadeia alimentar que leva esses ácidos graxos aos peixes, e a única fonte não animal que os fornece diretamente.

Vegetais (ALA): semente de linhaça moída, óleo de linhaça, chia, nozes, óleo de canola. A linhaça inteira atravessa o trato digestivo praticamente intacta; moer faz diferença.

Oxidação: vale para os dois

Ácidos graxos poli-insaturados oxidam em contato com oxigênio, calor e luz — e isso vale tanto para óleo de peixe quanto para óleo de linhaça. O óleo de linhaça, aliás, deve ser consumido cru, porque o calor o degrada rapidamente.

Os parâmetros analíticos que medem oxidação são índice de peróxidos, valor de p-anisidina e TOTOX, com limites de 5,0, 20,0 e 26,0 na norma Codex CXS 329-2017. A vitamina E na formulação retarda o processo dentro da cápsula.

Controle de qualidade FDC

A FDC Vitaminas analisa cada lote em laboratório próprio: cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC) para o perfil de ácidos graxos e espectrometria de absorção atômica para metais pesados, verificando que estejam dentro dos limites da legislação vigente, com laudo por lote.

Veja o teor declarado de cada apresentação na linha de Ômega-3 da FDC.

Uso

Siga a porção indicada no rótulo. Ingerir junto de uma refeição que contenha gordura favorece a absorção. Guarde ao abrigo da luz e do calor. Para definir o que faz sentido na sua rotina alimentar, consulte médico ou nutricionista.

Suplemento alimentar. Não é medicamento. Não substitui uma alimentação variada e equilibrada nem estilo de vida saudável. Não diagnostica, trata, cura nem previne doenças. Consulte médico ou nutricionista.

As informações fornecidas neste site destinam-se ao conhecimento geral e não devem substituir o atendimento médico ou o tratamento de condições específicas de saúde. As informações contidas aqui não se destinam a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença. Procure sempre o aconselhamento do seu médico ou outro prestador de cuidados de saúde qualificado com qualquer dúvida sobre sua condição médica. Nunca desconsidere o conselho médico nem demore a buscá-lo por causa de algo que tenha lido em nosso site ou mídias sociais.

Suplementos alimentares não substituem medicamentos nem uma alimentação variada e equilibrada. Consulte um profissional de saúde antes de iniciar a suplementação. Não exceder a dose diária recomendada.