Polivitamínicos e idade: o que muda na absorção

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Texto alternativo:Idosa sorridente segurando a mão de outra pessoa ao ar livre, simbolizando saúde e bem-estar.

Polivitamínico não é seguro de saúde. É um suplemento alimentar, e a legislação brasileira delimita com precisão o que se pode afirmar sobre ele. Este texto trata do que muda na absorção com a idade e de como isso aparece na leitura de um rótulo.

O que muda na absorção com a idade

  • Acidez gástrica. A secreção de ácido tende a diminuir. O ácido participa da liberação da vitamina B12 ligada às proteínas dos alimentos. Com menos ácido, a fração aproveitada da B12 alimentar cai. A B12 de suplemento já vem em forma livre e não depende dessa etapa.
  • Fator intrínseco. Proteína produzida no estômago, necessária para a absorção da B12 no íleo. Sua disponibilidade pode reduzir com a idade.
  • Síntese cutânea de vitamina D. A pele produz menos vitamina D a partir da exposição solar conforme a idade avança. Latitude, estação, pigmentação da pele, roupa e tempo ao ar livre alteram ainda mais esse valor.
  • Dissolução de sais minerais. Formas como o carbonato de cálcio dependem de meio ácido para dissolver. Menor acidez gástrica muda esse comportamento.
  • Ingestão total. Redução de apetite, alteração de paladar e dificuldade de mastigação estreitam a variedade da dieta, e a variedade é o que sustenta o aporte de micronutrientes.

Todas são descrições de fisiologia. Nenhuma é diagnóstico. A avaliação individual, com ou sem exames, cabe a médico ou nutricionista.

Como isso aparece na escolha da forma química

  • Vitamina B12: cianocobalamina e metilcobalamina são formas disponíveis em suplementos. Ambas entram em forma livre, sem depender da etapa gástrica de liberação.
  • Cálcio: o carbonato concentra mais cálcio elementar por miligrama e depende do meio ácido; o citrato tem teor elementar menor e é menos dependente do pH.
  • Minerais quelados: ligados a aminoácidos, ficam menos expostos a fitatos e oxalatos do bolo alimentar.
  • Vitamina D: a forma D3 (colecalciferol) é a mesma produzida pela pele.
  • Vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K) têm aproveitamento maior quando ingeridas junto de uma refeição com gordura.

O que a legislação brasileira autoriza afirmar

A ANVISA lista, na IN 28/2018, as alegações de propriedade funcional permitidas por nutriente. As mais comuns em um polivitamínico:

  • Complexo B: auxilia no metabolismo energético, no funcionamento do sistema nervoso, na formação de células vermelhas e na divisão celular.
  • Vitamina C: auxilia na formação normal do colágeno, na proteção das células contra radicais livres, no sistema imune e na absorção de ferro.
  • Vitamina D: auxilia na absorção de cálcio e fósforo, na manutenção de ossos e dentes, no funcionamento muscular e no sistema imune.
  • Cálcio: auxilia na formação e manutenção de ossos e dentes, no funcionamento muscular e nervoso e na divisão celular.
  • Magnésio: auxilia no sistema nervoso e muscular, no metabolismo energético, na divisão celular, na manutenção de ossos e dentes e no sistema imune.
  • Zinco: auxilia no sistema imune, na divisão celular, no metabolismo de proteínas e carboidratos e na proteção das células contra radicais livres.
  • Ferro: auxilia no transporte de oxigênio, na formação de células vermelhas e no sistema imune.
  • Selênio: auxilia na proteção das células contra radicais livres e no sistema imune.

Fora dessa lista, não há alegação autorizada. O verbo permitido é auxilia, sempre sobre uma função do organismo.

Como ler o rótulo

  • Confira a quantidade por porção de cada nutriente e o percentual de valor diário.
  • Compare com a IDR e com o limite máximo estabelecido para suplementos alimentares.
  • Some o que vem de outros produtos. Quem usa polivitamínico mais um mineral isolado pode ultrapassar o limite sem perceber.
  • Verifique a forma química declarada, não só o nome do nutriente.
  • Confira o número de notificação na ANVISA e o prazo de validade.

Controle de qualidade FDC

A FDC mantém laboratório próprio de controle de qualidade. As vitaminas são doseadas por cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC) e os minerais e metais pesados por espectrometria de absorção atômica, com laudo por lote. A fabricação segue as Boas Práticas de Fabricação e os produtos são notificados na ANVISA, com metais pesados dentro dos limites da legislação vigente.

A decisão de usar um polivitamínico, e em que dose, é de médico ou nutricionista.

Suplemento alimentar. Não é medicamento. Não substitui uma alimentação variada e equilibrada nem estilo de vida saudável. Não diagnostica, trata, cura nem previne doenças. Consulte médico ou nutricionista.

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