A vitamina C é um dos suplementos mais vendidos e um dos mais mal comparados. Boa parte do que circula sobre ela mistura fato nutricional com propaganda antiga. Abaixo, sete afirmações comuns, separadas entre o que se sustenta e o que não se sustenta.
Antes: o que a legislação permite declarar
Pelo Anexo III da IN 28/2018 da ANVISA, um suplemento de vitamina C pode declarar que auxilia no funcionamento normal do sistema imune, auxilia na proteção das células contra os danos causados pelos radicais livres, auxilia na formação normal do colágeno e auxilia na absorção de ferro dos alimentos. É a régua deste artigo.
1. "Toda vitamina C é igual"
Mito. O ativo pode ser o mesmo — ácido ascórbico — e ainda assim os produtos serem diferentes. Muda a dose por porção, muda o número de comprimidos que formam a porção, muda a tecnologia de liberação (imediata ou prolongada), muda o revestimento e mudam os excipientes. Sal de ácido ascórbico, como ascorbato de sódio ou de cálcio, também altera o que mais entra junto na porção — sódio, por exemplo.
2. "Dose maior é sempre melhor"
Mito. A vitamina C é hidrossolúvel e o excedente circulante é eliminado pela urina. Aumentar a dose não aumenta proporcionalmente a fração aproveitada. Além disso, existe um teto regulatório: o limite máximo de vitamina C em suplementos alimentares para adultos é de 1000 mg por dia. A IDR, para efeito de %VD, é de 45 mg.
3. "Liberação prolongada e liberação imediata dão no mesmo"
Mito. A diferença é real e está no perfil de disponibilidade. Na liberação imediata, todo o ativo é disponibilizado de uma vez: pico alto, janela curta. Na ação prolongada, a matriz do comprimido libera o ácido ascórbico gradualmente: pico menor, disponibilidade distribuída ao longo de mais horas. Qual das duas serve melhor depende da dose e da rotina de uso, não de uma ser "superior".
4. "O revestimento é só estética"
Mito. O filme de revestimento cumpre duas funções objetivas: protege o ácido ascórbico da umidade e da luz durante a validade, e reduz o contato direto do ácido com a mucosa gástrica. Comprimido de vitamina C sem proteção adequada oxida e escurece.
5. "A vitamina C ajuda o corpo a absorver ferro"
Verdade, com precisão. Ela auxilia na absorção de ferro dos alimentos, especificamente do ferro não-heme, presente em fontes vegetais como feijão, lentilha e folhas escuras. O ácido ascórbico reduz o ferro à forma ferrosa, mais absorvível no intestino. É uma das quatro alegações autorizadas.
6. "O corpo humano não produz vitamina C"
Verdade. Diferentemente da maioria dos mamíferos, a espécie humana não sintetiza ácido ascórbico. Ele precisa vir da alimentação e, quando indicado, da suplementação. O organismo também não o armazena em grande quantidade, o que faz da regularidade da ingestão um fator mais relevante que a dose pontual.
7. "A vitamina C dos alimentos se perde no preparo"
Verdade. É uma vitamina instável: degrada com calor, migra para a água de cozimento e oxida no contato com ar e luz. Consumo cru, corte próximo ao momento de comer, cocção breve em pouca água e armazenamento curto preservam mais teor.
Como comparar dois produtos na prática
- Qual a porção — um comprimido ou dois?
- Quantos mg de vitamina C por porção?
- Quantas porções o frasco contém, ou seja, quantos dias de uso?
- Liberação imediata ou prolongada?
- Comprimido revestido?
- Qual a forma química declarada na lista de ingredientes?
Preço por frasco não compara nada. Preço por dia de uso, sim.
Controle de qualidade FDC
A FDC tem laboratório próprio. O teor de vitaminas é verificado por HPLC e os minerais por espectrometria de absorção atômica, com laudo por lote. A fabricação segue Boas Práticas de Fabricação (BPF) e os produtos são notificados na ANVISA.
Orientação de uso
Siga o rótulo. Necessidade, dose e duração de uso devem ser avaliadas por médico ou nutricionista.
Suplemento alimentar. Não é medicamento. Não substitui uma alimentação variada e equilibrada nem estilo de vida saudável. Não diagnostica, trata, cura nem previne doenças. Consulte médico ou nutricionista.